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Lava Jato prende Pezão em operação contra corrupção no governo do Rio


Agentes da Polícia Federal e procuradores da República foram às ruas na manhã desta quinta-feira (29) para prender o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB) e outras oito pessoas.


O pedido de prisão foi feito pela Procuradora Geral da República (PGR), Raquel Dodge. Segundo as investigações, “o governador integra o núcleo político de uma organização criminosa que, ao longo dos últimos anos, cometeu vários crimes contra a administração pública, com destaque para a corrupção e lavagem de dinheiro”.


A ordem para esta nova fase da Lava Jato, batizada de “Boca de Lobo”, foi dada pelo ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O tribunal tem competência para atuar em crimes envolvendo governadores.


Os carros da PF entraram por volta das 6h no Palácio Laranjeiras, residência oficial de Pezão, com mandados de busca e apreensão. As viaturas deixaram o local cerca de 1h35 depois. Helicópteros de emissoras de TV fizeram imagens do governador entrando no prédio da PF, sem algemas, por volta das 7h55. Agentes também estiveram no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense.


Segundo a PGR, Pezão teria recebido mais de R$ 25 milhões entre 2007 e 2015. O valor, corrigido pela inflação, passa de R$ 39 milhões. A quantia foi alvo de sequestro determinado pelo STJ.


Ao solicitar a prisão do ex-governador, Dodge mencionou que Pezão foi secretário de Obras e vice-governador de Cabral entre 2007 e 2014, “período em que já foram comprovadas práticas criminosas”. Dodge, porém, apontou que haveria uma nova descoberta: Pezão teria operado “esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros”.


O emedebista é o quarto governador do Rio a ser preso, o primeiro no exercício do mandato. Antes dele, Cabral, Anthony e Rosa Garotinho já haviam sido alvos de prisão – os últimos dois por ações sem ligação com a operação mais famosa do Brasil.


Além de Pezão, foram expedidos outros oito mandados de prisão contra:

  • José Iran Peixoto Júnior, secretário de Obras

  • Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz, secretário de Governo

  • Luiz Carlos Vidal Barroso, servidor da secretaria da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico

  • Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador

  • Claudio Fernandes Vidal, sócio da J.R.O Pavimentação

  • Luís Fernando Craveiro de Amorim, sócio da High Control Luis

  • César Augusto Craveiro de Amorim, sócio da High Control Luis

Citado em delação

Pezão foi apontado pelo economista Carlos Miranda, que afirma ter sido o gerente de propinas de Cabral, como beneficiário de uma mesada de R$ 150 mil durante a gestão do ex-governador (2007-2014).


Segundo o relato do delator, Pezão passou a pagar uma mesada de R$ 400 mil ao seu antecessor quando assumiu o cargo, em 2014.


Pezão tem sido citado nas investigações ligadas a Cabral desde o ano passado. Há referências a apelidos como “Big Foot”, “Pé” e outros nas anotações de Luiz Carlos Bezerra a partir de 2010. Bezerra era uma espécie de carregador de mala de Miranda.


Segundo Miranda, o governador fluminense recebeu “prêmios” em alguns finais de ano, além das mesadas. Em 2008, por exemplo, teria sido destinatário de R$ 1 milhão do esquema de Cabral.


O governador sempre negou as citações ao seu nome. “Pezão repudia com veemência essas mentiras. Ele reafirma que jamais recebeu recursos ilícitos e já teve sua vida amplamente investigada pela Polícia Federal”, afirmou nota distribuída há duas semanas pelo Palácio Guanabara.


Com prisão, Dornelles assume

O vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles (PTB), 83 anos, assumirá o poder diante da prisão do governador Luiz Fernando Pezão (MDB). Dornelles é um político experiente com vários mandatos como parlamentar no Congresso Nacional. Foi ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. É sobrinho do ex-presidente Tancredo Neves e primo em segundo grau do senador Aécio Neves (PSDB-MG).


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