• Por Gervásio Lima Jornalista e historiador

A baleia Orca ficou azul na Internet


Em um mundo cada dia mais atribulado, recheado de incertezas e negatividades, com o crescimento quase fora de controle da insegurança e anormalidades cotidianas diversas, o medo impera e as esperanças se tornam, literalmente, apenas desejos e possibilidades. Notícias ruins sempre existiram, mas com o advento da internet, principalmente das redes sociais digitais elas passaram a fazer parte instantaneamente da vida das pessoas.


Infelizmente os dados sobre o uso da Rede Mundial de Computadores, o papel do emissor e do receptor das informações disponibilizadas não são dos mais animadores. Crianças, jovens e adultos estão constantemente se transformando em vítimas potenciais dos mais variados crimes cibernéticos. Independe a idade para cair nas ‘garras’ dos cada dia mais profissionais criminosos. Tudo o que se achava ter visto, o que nunca imaginava ver e o que nem se acreditava existir é encontrado na globalização da tecnologia digital.


Não são todas as pessoas que possuem o discernimento, capacidade de compreender situações e de separar o certo do errado. A inocência, a falta de malicia, a ausência da intelectualidade e escolaridade, a não presença familiar e até mesmo a ‘usura’ (nordestinamente falando), pode contribuir para facilitar a escolha das presas pelos bandidos especializados principalmente em persuasão e enganação.


Os crimes são cometidos empregando-se o computador e contra os próprios computadores e são de uma infinidade de modos e maneiras, que os chamados “gênios do mal” aproveitam-se das inovações da Tecnologia da Informação para cometê-los.


Os crimes digitais são bem mais comuns do que se imagina, cerca de 50 % das pessoas que utilizam a Internet já foi alvo de um desses criminosos. Os crimes digitais mais comumente empregados são: o phishing, que é a “pesca” de dados bancários e senhas através do envio de e-mails com pedidos de atualização. Com o mesmo intuito, e-mails referentes a listas negras ou falsos prêmios são também enviados para a “pesca de dados”; envio de códigos maliciosos, por servirem de verdadeiras portas de entrada para vírus que geram danos por vezes irreparáveis ou obtém dados dos computadores infectados e fraudes bancárias e financeiras, por acesso indevido a sites e e-mails.


Não obstante a tais ações criminosas, outras já se proliferam com uma enorme velocidade em todo o planeta por meio da Internet, como o terrorismo digital, o cyberbulling, o racismo, a apologia ao uso e a venda de drogas, a pirataria de softwares; a espionagem industrial, a pedofilia e até mesmo o tráfico de pessoas. Também tem sido constantes a ocorrência de crimes contra a honra: a calúnia, a injúria e a difamação, principalmente nas redes sociais, e também aquelas ações criminosas que incitam aos outros atentarem contra a própria vida, como é o caso do jogo denominado Baleia Azul (Blue Whale). Um jogo mortal vem ganhando popularidade e chamando a atenção de todos na Internet e no mundo.


O que se sabe até o momento é que um grupo oriundo da Rússia, conhecido como “#F57”, está sendo investigado devido a suspeita de que o Baleia Azul já teria induzido mais de 130 jovens, predominantemente na Europa, a cometerem suicídio desde 2015. O jogo que propõe 50 desafios aos adolescentes e sugere o suicídio como última etapa, preocupa pais, alunos e professores no Brasil. Algumas mortes suspeitas de relação com o Baleia Azul no país estão sendo investigadas pela polícia.


Conforme especialistas, o que está sendo chamado de “jogo" na verdade é uma sequência de troca de mensagens em redes sociais e tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe os desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, a automutilação desenhando baleias com instrumentos cortantes em partes do corpo e ficar doente.


A família e a escola possuem um papel importantíssimo no acompanhamento e na fiscalização dos comportamentos das crianças e adolescentes. O cuidado pode evitar o pior.