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Isla Margarita, paraíso turístico da Venezuela, também sofre com crise econômica


Outrora um dos destinos mais visitados do Caribe pelas suas belas praias, região vive às moscas esperando a crise econômica passar


Um dos principais destinos turísticos do Caribe no passado, a Isla Margarita, a 473 km de Caracas, em Nueva Esparta, na Venezuela, mergulhou de vez na crise econômica que assola o país sul-americano. Agosto foi a temporada mais fraca do lugar em comparação a qualquer outro ano, segundo fontes locais.


Até uma década atrás, a Isla Margarita era o passeio fixo das famílias venezuelanas em férias escolares, das quais as crianças regressavam morenas do sol e com fotos das praias de azul-claro, e que rendia diversas anedotas sobre o barco lotado que levava os turistas pela ilhas, sobre os chocolates importados que as lojas vendiam apenas ali e sobre o queso de bola margariteño, uma espécie de pão de queijo feito com queijo da Holanda – um clássico venezuelano.


No ano passado, a Isla Margarita recebeu 380 mil turistas, 10% do auge que atingiu em 2012, quando 3,2 milhões de visitantes desembarcaram no paraíso venezuelano de pouco mais de meio milhão de habitantes e cerca de 20 mil camas de hotel. A maioria dos recém-chegados vinha em cruzeiros que duravam um dia, apesar dos pacotes turísticos vendidos para a Venezuela obrigatoriamente reservarem um par de dias nas praias da região.


A crise fez com que as companhias aéreas reduzissem suas operações pela impossibilidade de adquirir receitas para custear o funcionamento do sistema. A redução de conexões é uma das situações que mais afetam a ilha venezuelana: hoje, a Colômbia, o Brasil e Trinidad e Tobago são os únicos pontos em que é possível tomar um avião diretamente ao local e, mesmo com o câmbio mais barato em qualquer situação, a falta de voos impossibilita mais chegadas.


Chegar por vias marítimas é outra dificuldade: a Conferry, principal empresa desse tipo de transporte que foi expropriada pelo Estado há sete anos, só tem dois barcos em operação. Em julho deste ano, duas enormes e antigas embarcações da frota afundaram no ancoradouro da empresa – e os jornais estrangeiros que deram a notícia não deixaram de fazer uma analogia entre o fato e a própria Venezuela de hoje.


"É a temporada mais triste que tivemos, a realidade é essa. Se 90% da renda dos venezuelanos vai em comida, quem vai fazer turismo – mesmo com o potencial enorme que temos? Há 12 anos não tínhamos estrutura e abundava de turistas, agora temos a capacidade e não temos quem venha", afirmou Eduard Noguera, presidente da Cámara de Comercio del Estado de Nueva Esparta, ao jornal espanhol El País.


A desolação é mais evidente na parte central da ilha. Porlamar, a antiga zona comercial, parece um povoado fantasma. Há um único vigilante que toma conta de uma última loja que permanece aberta entre muitas quadras, uma conhecida butique de camisas guayaberas – uma tradição em muitos países caribenhos. O proprietário, Mohammed Ayub, contou ao mesmo jornal que, tempos atrás, o salão do pequeno negócio familiar lotava diariamente. Hoje ele comemora quando chega alguém. "Cada país tem suas crises, e a gente tem que aguentar", afirmou.


No que há alguns anos era uma congestionada avenida, a Santiago Mariño, no centro de Margarita, hoje é possível transitar sem nenhuma dificuldade. As lojas ali também estão vazias, como contou a caixa de uma venda de roupas ao El País. "O que continua aberto está em liquidação do que sobrou nos estoques. Para muita gente sai mais barato ficar em casa esperando o benefício do governo do que sair para trabalhar", disse Leoagnis Maestre.


Segundo a Cámara del Comercio de Nueva Esparta, dos 400 mil metros quadrados de comércio que há na Isla Margarita, apenas 30% estão em operação. Grande parte do colapso do centro da ilha está se gestando há anos, pelo menos desde a construção de grandes centros comerciais que mudaram a atividade para outras zonas – e que hoje, com a falta de visitantes, se tornaram elefantes brancos. Ao menos dois grandes hotéis fecharam suas portas nos últimos dois meses.


Em agosto, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, colocou em prática novas medidas para aliviar a crise econômica no país: uma delas foi fixar o valor do bolívar, a moeda do país, em 60 unidades para cada 1 dólar. A ideia era cortar cinco zeros do valor que o dinheiro do país possuía até julho deste ano. Naquele mês, 1 dólar chegou a valer 5,9 milhões de bolívares. O FMI afirma que a Venezuela terminará 2018 com uma inflação total de 1.000.000%.


O governo também autorizou a compra e venda de dólares sem intermediários, mas colocou limites claros sobre as quantidades possíveis mediante leilões e assinaturas. Por fim, o Palácio de Miraflores também impôs preços fixos sobre uma lista de 25 produtos da cesta básica de consumo.


O caos com o novo pacote econômico de Maduro levou mais incerteza à ilha. "Em Nueva Esparta, estamos convencidos de que podemos continuar. A notícia dessa possível livre conversão da moeda, se não tiver letras pequenas, nos alenta. Ela vai permitir repor receitas. Porém, estamos preparados para quando isso passar", afirma Noguera.


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