Edições impressas
capa_496.jpg
Please reload

  • Facebook Basic Black
Siga Jornal Classe A

Nutricionista responde: para os atletas, é melhor fazer jejum ou comer a cada três horas?

June 8, 2018

Para Diogo Círico, da Growth Supplements, debate deveria ser feito levando em conta a saúde das pessoas, e não apenas fatores estéticos

 

 

Desde que o médico japonês Yoshinori Ohsumi ganhou o Prêmio Nobel de Medicina, no final de 2016, dizendo que a privação controlada de alimentos pode ativar mecanismos do corpo que garantem maior longevidade às células e, assim, ser benéfica ao corpo, o debate sobre a metodologia do jejum como uma forma benéfica de atuar sobre o organismo cresceu.

 

Não demorou para surgirem, nesse ínterim, atletas amadores ou praticantes assíduos de atividades físicos, dúvidas sobre o regime que costumam fazer. Para Diogo Círico, nutricionista da Growth Supplements, há uma confusão entre as descobertas científicas de Ohsumi e a alimentação das pessoas em ciclos de tempo específicos.

 

"Ele não afirmou categoricamente que é melhor jejuar do que comer de três em três horas. Isso é fake news. O seu trabalho mostrou, na verdade, os mecanismos de autofagia em células de levedura que, apesar de fornecer pistas interessantes para futuras investigações, ainda está longe de considerar 'categoricamente' que o jejum é a melhor opção para perder peso", explica.

 

"Jejum intermitente é mais uma das centenas de metodologias de dietas existentes e entrou na moda porque a população está sempre em busca de alguma receita milagrosa", continua, lembrando do uso de multivitamínico como outra estratégia comum adotada nesse sentido.

 

"Essa e outras estratégias semelhantes funcionam muito bem em alguns casos, mas não é possível tirar uma conclusão de que é um método melhor ou pior para todos. Depende de cada caso". A seguir, Círico fornece algumas explicações sobre o jejum e as atividades, como corrida ou os treinos na academia.

 

Atletas profissionais

Os atletas profissionais são aqueles que precisam render melhor em seus treinos e, por isso, devem gerar adaptações orgânicas frente aos estímulos que o corpo recebe. A grande maioria dos atletas que necessita de resistência física, produção de energia e força física, por exemplo, necessita de refeições periódicas. É só assim que o corpo se mantém sempre nutrido de forma adequada e pode gerar o que se espera de um atleta de alta performance.

 

"É uma classe muito específica de pessoas, com organismos alinhados e lapidados, metabolismos acelerados e com necessidades nutricionais particulares", explica Círico.

 

Os chamados "bodybuilders" também não podem ficar muito tempo sem comer, porque dependem de um corpo constantemente nutrido para atingir a definição dos músculos. "Quando falamos em atletas profissionais é preciso entender que o planejamento da dieta, aliado a um treino específico, um ciclo alimentar e a escolha do que comer são superiores a qualquer tipo de dieta. As pessoas não dominam isso", completa o nutricionista.

 

Atletas amadores e indivíduos normais

Atletas amadores, como corredores, nadadores ou ciclistas ocasionais, e indivíduos que não praticam atividades físicas, têm necessidades nutricionais mais brandas do que os atletas profissionais. Para Círico, a dieta dessas pessoas é menos complexa e mais fácil de ser atendida a partir de um diagnóstico clínico. Nestes casos, o jejum intermitente pode conceder alguns benefícios para a redução ou a manutenção de peso, mas não é adequada para quem busca aumento de massa muscular.

 

"Os estudos mostram que o jejum intermitente e a restrição calórica aumentam a sensibilidade do organismo à insulina. Logo, tanto a dieta do jejum intermitente, a metabólica, a low carb tradicional ou qualquer outra estratégia que reduza carboidratos por algum período tem essa consequência", diz ele.

 

O jejum intermitente como opção para perder peso parte da ideia de que isso pode ser alcançado ao se estimular a queima de gordura por causa dos baixos níveis de insulina durante o período de restrição de carboidratos. Ainda assim, há restrições.

 

"Não podemos crer que isso é necessariamente melhor do que o método convencional. Pode funcionar bem para uns e mal para outros. No fisiculturismo, por exemplo, usa-se o método tradicional low carb a décadas com altíssima eficiência", completa o nutricionista.

 

Para Círico, porém, antes de qualquer discussão sobre a estética, o debate sobre o jejum e a alimentação em ciclos precisa acontecer primeiramente levando em conta a saúde das pessoas. "Eu vejo muita gente falando sobre o assunto de forma reducionista, focando apenas no aspecto da frequência das refeições e ignorando temas mais importantes, como o saldo calórico, a qualidade dos alimentos e a atividade física", finaliza.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Parceiros

Jornal Classe A LTDA ME
Av. Tancredo Neves, 1016 - Aroldo da Cruz 
    CEP: 47850-000 / Luís Eduardo Magalhães-BA
 jornalclassea@yahoo.com.br
77 3639-0108 

© 2016 por "Pelo Mundo". Orgulhosamente criado com Wix.com