Agricultura sustentável terá crédito de US$ 1 bilhão

October 28, 2017

Brasil e Indonésia serão os primeiros beneficiados da parceria entre a ONU e o banco holandês Robabank

 

 

O milho e a soja cultivados pelo produtor rural Luiz Antônio Pradella em Formosa do Rio Preto, município do Oeste baiano (a 1.026 km de Salvador), contam com uma técnica considerada ambientalmente correta: o Sistema de Plantio Direto, que sequestra dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e o mantém armazenado no solo, evitando a concentração de gases do efeito estufa.

 

Em breve, a produção do agricultor poderá se colocar apta a receber recursos de um programa de fomento anunciado neste mês pela ONU Meio Ambiente em parceria com o banco holandês Rabobank, que investirá US$ 1 bilhão em projetos de agricultura sustentável. A iniciativa concederá subvenções e crédito a clientes envolvidos na produção, processamento ou comércio de commodities agrícolas. Brasil e Indonésia serão os primeiros países a utilizar recursos da cooperação.

 

Agricultor do Oeste baiano usa técnica ambientalmente correta e poderá ter acesso à linha de crédito da ONU

 

Para ter acesso aos fundos que serão disponibilizados pelo Rabobank, as empresas deverão respeitar exigências de proteção e restauração florestal, bem como promover o envolvimento de agricultores familiares. A agricultura responde por cerca de um quarto do total anual de emissões de gases do efeito estufa, sendo o segundo principal responsável pelas mudanças climáticas.

 

No Brasil, a coalizão entre a ONU, o Rabobank e outros organismos se compromete a promover e a financiar — quando possível — práticas agrícolas que combinam lavoura-pecuária-floresta (iLPF). “Ainda não conheço esse projeto, mas as linhas de crédito são sempre bem-vindas, porque auxiliam o produtor a investir em máquinas, sementes e práticas de consumo”, destaca Pradella.

 

Mudança de paradigma

 

O diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, defende que todo o setor de finanças mude seu crédito agrícola. “O uso sustentável da terra e a restauração de paisagem são investimentos fundamentalmente sólidos e bons negócios. Precisamos acelerar essa tendência de modo que ela se torne o normal para a indústria financeira”, ressalta.

 

Alinhado ao representante da ONU, o CEO do Rabobank, Wiebe Draijer, acrescenta que a meta da instituição financeira é aumentar substancialmente a qualidade da terra atualmente arável, “ao mesmo tempo em que protegemos a biodiversidade e reduzindo as mudanças climáticas em todo o mundo”.

 

Outras linhas

O projeto ambientalmente correto de Luiz Pradella, no Oeste baiano, tem o fomento do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), uma linha de crédito do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem o propósito de oferecer recursos oficiais para financiamento da adoção de tecnologias que diminuam as emissões de gases de efeito estufa pelos produtores rurais brasileiros. Os aportes para a safra 2017/18 são de um pouco mais de R$ 2 bilhões.

 

“Utilizo a linha de crédito do ABC, além de recursos próprios, que acabam sendo o principal”, explica Pradella. Segundo o produtor rural, que também é vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), o carbono sequestrado em suas plantações, nos últimos 11 anos, equivale a queima de 2.500 litros de óleo diesel por ano. “Enquanto produz, o trabalhador rural está contribuindo para a preservação, porque o SPD conserva o solo e favorece a infiltração e o armazenamento de água”, pontua.


Diretora-executiva do World Resources Institute no Brasil (WRI Brasil), entidade que reúne mais de 60 especialistas nos programas de Cidades Sustentáveis, Clima e Florestas, Rachel Biderman defende o aumento no volume de recursos utilizados para financiar a mudança nos meios de produção agrícola. “O Plano ABC é contundente, precisa ser melhorado, mas já possibilita até o acesso ao crédito mais barato para produtores rurais que querem implementar tecnologias e técnicas para a redução da emissão de carbono”, avalia.

 

O CORREIO Sustentabilidade listou outras linhas de financiamento para os produtores rurais que têm projetos na área de agricultura sustentável:

 

· Programa ABC (MAPA/BNDES): É uma linha de crédito rural para incentivar práticas de agricultura e pecuária de baixo carbono. Corresponde à parte do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) voltada para oferecer recursos oficiais para financiamento da adoção de tecnologias que diminuam as emissões de gases de efeito estufa pelos produtores rurais brasileiros.

 

· PRODUSA (BNDES/MAPA): O objetivo é estimular a recuperação de áreas degradadas destinadas à produção agropecuária e que apresentam desempenho abaixo da média da região para o tipo de cultura ou criação, além de incentivar a adoção de sistemas que sigam a legislação ambiental.

 

· PRONAF ECO (Governo Federal): O PRONAF é destinado a apoiar as atividades produtivas exploradas com o emprego direto da força de trabalho da agricultura familiar.

 

· MODERNINFRA (Governo Federal): Linha de financiamento destinada a apoiar o desenvolvimento da agropecuária irrigada sustentável e ampliar a capacidade de armazenagem nas propriedades rurais, além de modernizar as unidades existentes.

 

· FNE Rural (Banco do Nordeste): Linha de financiamento do Banco do Nordeste, com recursos do FNE, voltada para o desenvolvimento da agropecuária e do setor florestal. O limite de crédito pode chegar a R$ 360 mil para o miniprodutor rural, sendo 100% do valor financiado pelo FNE.

 

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