O Brasil não está nem aí para as bananas

Na manhã de quarta-feira, dia 10 de maior, fiscais da Prefeitura de Feira de Santana apreenderam a mercadoria de um vendedor ambulante no centro da cidade e o ato revoltou às pessoas que acompanhavam a operação. O motivo da indignação foi a maneira grotesca da abordagem e o desfecho fina da ação, quando um simples trabalhador, pai de família teve suas pencas de bananas retiradas de seu carrinho de mão e jogadas sobre a calçada.

 

Atitudes como esta chega a ser revoltante em um país onde mais de 14 milhões de brasileiros estão desempregados. Quantos milhões de brasileiros consomem diariamente alimentos estragados, contaminados, modificados geneticamente e até mesmo falsificados; comendo literalmente gato por lebre? Que a Operação Carne Fraca, onde as maiores e mais famosas marcas em abate e comercialização de frango, porco e boi foram denunciadas por cometerem irregularidades, que o diga.

 

A fiscalização sanitária é importante e necessária para a proteção e o cuidado com a saúde da população, mas, proibir um pobre, desempregado e pai de família de vender suas bananas para garantir a sua e a sobrevivência dos seus dependentes chega a ser desumano. Muitos que nunca imaginavam que fossem ser vítimas da violenta e cruel experiência de não ter uma atividade laboral para garantir seus sustentos agora amargam com as mesmas verdades vividas por aqueles que por algum motivo nunca tiveram a oportunidade de um trabalho formal.

 

O rapaz de aparência simples, de chinelo japonês, bermuda e camiseta, aparentemente bem asseado, disputava espaço com outros ambulantes que comercializavam produtos diversos. A cada dúzia vendida de banana era a certeza que o dinheiro para honrar com o fornecedor, e o pequeno lucro estavam garantidos, mas como um verdadeiro balde de água fria, aparecem ‘os homens da lei’, certamente pais de família também e, ‘pahhh’, destrói tudo. Sem ter a quem recorrer, restou apenas a fixar os olhos para os prepostos que estariam cumprindo o seu papel para justificar o salário no final do mês, depois olhar para o que seria o responsável pelo ‘seu ganha pão’, as bananas e em seguida aprumar sua carroça e sumir do alcance dos olhos estupefatos dos que presenciaram a triste e repulsiva cena.

 

Enquanto o Brasil assiste e ouve diuturnamente através dos canais de radiodifusões e acessam instantaneamente através da internet os noticiários informando desvios de verbas públicas, recebimentos de propinas e outras tantas outras corrupções envolvendo cifras que chegam a ser bilionárias e com o envolvimento de tantos que sempre tiveram tanto, um autêntico brasileiro, vítima do podre sistema, instaurado no país desde a sua invasão em 1500 e institucionalizado com a chegada da ‘coroa portuguesa’ com sua família irreal, tem sua mercadoria que lhe renderia umas duas dezenas de reais confiscada.

Ainda dizem que o Brasil é a República das Bananas.

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