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Setor imobiliário cresce em comparação com 2017, mas eleições atrapalham vendas


Mercado começou ano aquecido, mas caiu no segundo semestre com incerteza política


A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) divulgou que o mercado imobiliário cresceu 11,5% entre junho de 2017 e o mesmo mês de 2018 em relação aos 12 meses delimitados anteriores. Além disso, houve uma alta de 34,4% nos lançamentos de empreendimentos imobiliários no país no mesmo período. Para a entidade, os números significam que o setor reagiu à crise econômica que retraiu as vendas nos anos anteriores.


Levando em conta apenas o segundo trimestre do ano, as vendas de imóveis cresceram 41,5% no país em relação aos meses de abril a junho de 2017: foram 25,6 mil unidades vendidas. Parte do impulso foi dado pelos empreendimentos de alto padrão, que tiveram um avanço total de 31,8% nos três meses.


No entanto, o grande salto do setor foi dado por causa do programa Minha Casa, Minha Vida, que significou um aumento de 41,3% nas aquisições. No relatório final da Abrainc, o segundo trimestre de 2018 se encerrou com crescimento de 39,6% nos lançamentos e 8,1% nas vendas.


Outra pesquisa, feita pelo Departamento de Economia e Estatística do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) e publicada no mês passado, aponta que houve um crescimento de 24,6% nas vendas de unidades residenciais em julho de 2018 em relação ao mesmo mês do ano passado. No entanto, registrou-se uma queda de 32,6% em comparação com junho de 2018.


Uma das explicações para a melhora dos números foi a redução dos juros oferecida pelos bancos brasileiros: no final de setembro, por exemplo, A Caixa Econômica Federal anunciou um corte de 0,75 ponto percentual em suas taxas para compras de imóveis disponíveis no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) cujo valor não exceda R$ 1,5 milhão. A taxa mínima foi de 9,5% para 8,75% ao ano, enquanto a máxima foi de 11% para 10,25% ao ano sobre o valor do empréstimo.


Os juros da Caixa seguem a tendência da Selic, taxa básica brasileira para transações estipulada pelo Banco Central (BC) e que, segundo o último Relatório de Mercado Focus, do início de setembro, vai permanecer em 6,50% ao ano -- nível mais baixo desde o início da série histórica do BC, em 1986. O mesmo relatório prevê que, logo no começo de 2019, a Selic pode chegar a 8% ao ano.


"Não há uma imobiliária em São Paulo que não tenha contabilizado números melhores neste segundo trimestre. A expectativa é de 2019 seja ainda melhor", afirma Éder Conceição, gerente de corretores de uma imobiliária da Zona Oeste de São Paulo.


A Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), porém, pondera a animação: de acordo com ela, o mercado imobiliário registrou quedas nas vendas quando comparada a situação do início do ano com a de agora. O Radar Abrainc/Fipe publicou que a nota para o segundo trimestre deste ano -- em uma escala de 0 a 10 entre o mercado menos favorável e mais favorável, levando em conta variáveis como ambiente macroeconômico, demanda do setor, crédito e ambiente do setor imobiliário -- foi de 4,3.


“Pesaram no comportamento da nota média geral do Radar os recuos observados em indicadores do ambiente macroeconômico e demanda, influenciados, em alguma medida, por eventos de natureza conjuntural (como a paralisação dos caminhoneiros), que afetaram a atividade econômica e a confiança dos agentes no período”, afirma as instituições em um relatório publicado neste mês.


Para o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, as eleições presidenciais ajudam a entender a queda nas vendas de imóveis: "Enquanto persistir a indefinição política, principalmente no tocante à sucessão presidencial, os empreendedores não sentirão confiança para investir e os consumidores para assumir compromissos de longo prazo, como é a aquisição de imóvel. Superadas as eleições e iniciado o período de transição, poderemos ter novas perspectivas quanto ao futuro da economia”, analisou em entrevista ao Estado de S. Paulo.


A Fipe já havia divulgado que, em 2017, houve queda nominal no valor das casas e apartamentos de 0,53% -- o primeiro ano de retração em 10 anos. Considerando a inflação de 2,78% acumulada nos 12 meses do ano, a queda real foi de 3,23%. O estudo contemplou 20 cidades brasileiras e mostrou ainda que o preço médio do metro quadrado nessas regiões custa R$ 7.631.


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