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Dinheiro público não será suficiente para saneamento básico no país, diz especialista


Parcerias público-privadas são imprescindíveis para o setor

Nos próximos 32 anos, a demanda por água deve crescer em mais de 30% no mundo, o que significa que a população mundial vai consumir mais água com o passar dos anos. Por isso, os investimentos em gestão hídrica, nas ações que possam proteger os mananciais, no incentivo ao uso responsável do recurso e na ampliação do saneamento básico são apontados pelos especialistas como imprescindíveis para todos os países.


Entre as sugestões que estão sendo apresentadas no Fórum Mundial da Água para a fomentação do saneamento básico no país está a inclusão da iniciativa privada nessa frente por meio de parcerias entre empresas e os governos Federal e estaduais.


A especialista em Políticas Industriais, Ilana Dalva Ferreira, explica que a proposta de criar parcerias público-privadas para fomentar o saneamento no Brasil não significa privatizar o setor. Para ela, apenas as iniciativas governamentais não serão suficientes para garantir a defesa da água e a universalização do saneamento básico no país.


“Só com o dinheiro público não será possível. Assim como ocorreu em outros setores da infraestrutura a participação, a parceria com o setor privado é imprescindível. O que não significa conceder, privatizar. Para o setor ser desenvolvido ele precisa de modelos híbridos. Se um local que tem uma população apta a pagar por esse serviço, e esse serviço é rentável, coloque a participação privada. Para não acontecer de o governo Federal disponibilizar recursos para áreas que, às vezes, o setor privado poderia estar atuando muito bem’.


Enquanto as possíveis parcerias público-privadas não saem do papel, as empresas do país vão fazendo investimentos para diminuir o uso de água em suas linhas de produção. A implantação de sistemas de reuso da água nas indústrias está aumentando a cada ano no país. A indústria automobilística, por exemplo, reduziu em 50% o uso de água na fabricação de veículos entre os anos de 2008 e 2013.


No entanto, o setor carece de incentivos dos governos, como eficiência na disponibilidade da água, menos burocracia na gestão dos recursos hídricos e incentivos para as empresas que investem em saneamento básico, como lembra o especialista em Hidrosedimentologia da UNB, Henrique Leite Chaves.


“Falta a criação de incentivos econômicos para que essas indústrias tratem esses efluentes adequadamente, reutilizem essa água de tal maneira que o empreendedor pense o seguinte: é mais barato eu instalar um sistema de tratamento de esgoto ou de reuso de água na minha indústria do que pagar uma tarifa de lançamento desse esgoto no rio”.


Para atingir a meta do Plano Nacional de Saneamento Básico, o governo Federal vai precisar investir cerca de 300 bilhões de reais no setor até 2033. Em 2017, cerca de um bilhão e 800 milhões de reais foram liberados para serem gastos com saneamento. O valor representa menos de 10% daquilo que seria necessário para alcançar a meta da universalização do saneamento, por ano. Os dados são do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, o SIAFI.


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