• Por Dr. Adriana Victor Barros

Crianças com dentes separados é normal?


Uma queixa comum dos pais no consultório é se os espaços entre os dentes da criança são normais.


Esses espaços são chamados de “Diastemas”, nos dentes decíduos ou de leite é frequente e desejável que existam esses espaços.


Os dentes de leite são mais estreitos que os permanentes. Na troca dos dentes os definitivos ocuparão o lugar dos temporais e precisarão também dos diastemas, que é habitual e fisiológico nos dentes de leite. Por isso a preocupação não deve existir quando houver espaços entre os dentes, mas pelo contrário. Os problemas são mais importantes quando esses espaços não existem porque então, aonde vão se colocar os dentes definitivos?


Associamos uma boca perfeita a uma boca sem espaços entre os dentes, mas nas crianças devemos pensar que é justamente ao contrário, 40% das crianças que não têm diastemas apresentarão apinhamento (dentes tortos) na dentição definitiva.


A falta de espaços entre os dentes também favorece o aparecimento de cáries nos pontos de contato, e é mais comum entre os molares. É imprescindível utilizar o fio dental também nas crianças, e hoje em dia existem fitas dentais que facilitam muito a tarefa. E nada é tão eficaz para a criança que ver os pais aplicando o fio dental diariamente e sistematicamente.


O diastema que mais preocupa os pais é sem dúvida o que aparece entre os incisivos centrais superiores na dentição permanente. Os pais temem que este espaço permaneça por toda a vida e buscam ajuda assim que estes dentes apontam na boca. Mas, é muito cedo para saber disso. Primeiro deve-se esperar que os incisivos laterais saiam e continuar esperando que os caninos definitivos, algum tempo depois, ocupem também o lugar que lhes correspondem, já na puberdade.


Muitas vezes se atribui ao frênulo labial a presença desse diastema interincisivo, mas o certo é que nem sempre é o culpado, e cortar o frênulo sem fazer ortodontia depois, pode não ser eficaz. Posteriormente existem diversas maneiras de solucioná-lo, cobri-lo ou dissimulá-lo, mas para cada paciente existe uma solução individualizada.


Em todas as situações, o ideal é que o Odontopediatra faça um acompanhamento para que, de acordo com cada caso, intervenções sejam realizadas, reduzindo assim futuras extrações dentárias e tratamentos dentários complexos e demorados.


O melhor é acompanhar com a ajuda de um profissional para assim proporcionar um desenvolvimento e crescimento saudável e harmónico á criança.