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Morte de jovem luiseduardense continua sem solução
Postada em: 05/03/10 às 20:38:37

Escrita por: Heloíse Steffens

O caso do jovem André Luiz Berwanger de 19 anos de idade, morto no dia 31 de janeiro deste ano após ser atingido por disparo de arma de fogo numa provável tentativa de assalto em Luís Eduardo Magalhães continua sem solução. A cobrança por respostas foi feita pelo irmão que, em contato com esta redação, reivindica ações das autoridades policiais para elucidar o caso em que seu irmão fora vítima, bem como para sanar o problema da segurança pública no município.

O objetivo, segundo ele, não é somente atender a interesses próprios da família que espera e deseja que a justiça seja feita, mas de que outras famílias não tenham de passar pelo sofrimento que hoje aflige a sua. “Além de encontrar um delinquente, esperamos com isso retirá-lo das ruas e impedi-lo de realizar mais um ato brutal e covarde contra outro cidadão de bem”, diz Tiago Berwanger em parte do e-mail. Mediante o apelo, esta redação procurou saber da autoridade responsável pela investigação do caso, o que se fez até agora.

Para o delegado de Polícia Civil, José Resende de Moraes Neto, este é um caso de difícil elucidação por conta de diversos fatores. A começar pelo fato do crime ter acontecido num local pouco habitado e já tarde da noite com a falta de testemunhas oculares. Além disso, a vítima em questão, segundo ele, não tinha nenhum problema, vício ou inimigo – fatores que descartam a possibilidade deste ser um crime de homicídio. “Era um menino comum, acima de qualquer suspeita. Não tinha passagem pela polícia, nenhum inimigo para que a gente pudesse trabalhar com interceptação telefônica. Então, não tem nenhum suspeito. É um caso complicado”, explica.
Ainda em suas palavras, ele enquanto profissional, não acredita que a curto e médio prazo se chegue à autoria do crime. “Com os elementos que nós temos, eu acredito que este caso não tenha solução, pelo menos por enquanto, a não ser que a família ou outra pessoa nos traga alguma informação que leve a polícia a trabalhar com um suspeito”, avalia. O que para ele, é pouco provável que aconteça, pois tudo leva a crer que esta tenha sido uma tentativa de assalto mal sucedida praticada por um viciado que culminou com evento morte.

Um viciado, porque para ele, se fosse um ladrão mais experiente, vendo que o garoto não atendeu a ordem de parada e que não obteria sucesso, certamente deixaria a vítima ir embora e não o mataria friamente. Com a falta de testemunhas, o único elemento em que a polícia trabalha neste momento é o projétil retirado do corpo do jovem. O quê a polícia espera é que, durante alguma ocorrência onde se tenha a apreensão de uma arma do mesmo calibre, se possa realizar a perícia através do exame de micro comparação balística.

Ainda assim, ele alerta que este nem sempre é um relatório conclusivo que aponte que aquela foi à arma utilizada durante o crime. Uma arma do mesmo calibre daquela que vitimou o jovem encontra-se na delegacia, onde já existe alguma investigação. Outra possibilidade levantada por ele é que muitos casos são elucidados quando, depois de cometer outros crimes, o indivíduo acaba “caindo” na delegacia. “Com esses bandidos é assim. Às vezes eles caem lá na frente e a polícia descobre, até por informações do meio, quem foi à pessoa que praticou o crime. Mas volto a repetir, por enquanto, não temos nenhum, nenhum elemento”, garante.

Investigação prejudicada

Questionado sobre a condução da investigação que deve apurar a morte do jovem, ele lamenta que esta será prejudicada, visto que aproximadamente 400 investigações estão em andamento e, para piorar, com apenas um policial investigador para realizar este trabalho e que, ainda assim, não está a disposição. No presente momento o profissional está incumbido da tarefa de “tomar conta dos presos”. O problema da custódia de presos não somente no município, mas estado de modo geral, deve piorar segundo ele, onde espera “que os homens de boa vontade tomem para si a responsabilidade e paternidade da situação, a fim de dar um basta nesta situação”.

Ele entende a revolta da família com a situação e também a necessidade de se achar culpados, e os culpados para ele são os governantes, pois são eles que têm a chave do cofre para realizar investimentos na área e a caneta para planejar estrategicamente a atuação das polícias. Por isso, é preciso entender que as instituições locais fazem parte de uma estrutura maior e defasada, onde todos devem cobrar daqueles que efetivamente têm o poder de resolver os problemas. “Qualquer pessoa que passe por uma situação dessas fica revoltada. Eu nunca passei por uma situação dessas, mas se um dia passar com alguém da minha família, a minha revolta não será menor do que a deles não”, conclui.

Foto/legenda:
Foto Resende
Delegado Resende: o fato de o crime ter acontecido num local pouco habitado e já tarde da noite com a falta de testemunhas oculares dificulta as investigações (Foto: Arquivo Classe A)

Foto Arquivo da família André Berwanger
Fonte: Jornal Classe A

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